domingo, 7 de junho de 2009

FLANELINHAS E OUTROS

Flanelinhas e outros
Uchôa de Mendonça - 06/06/2009

Dizem, as cidades refletem a personalidade dos que moram nelas. Não se trata apenas de uma expressão vulgar, mas à vista da violência que as cidades brasileiras atravessam, a observação tem procedência; nossas tradições de povo ordeiro estão se perdendo.

Acho, repito sempre, que a endêmica violência que atinge a todos nós cidadãos pacatos e ordeiros, a maioria da sociedade, tem como responsável, sem dúvida, a IMPUNIDADE, a forma como ocupam os cargos, as funções, nossas autoridades.

O que é IMPUNIDADE? Impunidade não é só a falta de punição para todos aqueles que cometem crimes contrários à coletividade e não são alcançados pelo punho da justiça, mas um conjunto de coisas, a começar pela corrupção desenfreada nos organismos de segurança, no exercício da justiça, até no poder legislativo, ignorante e incapaz de legislar corretamente, se acumpliciando às mazelas...

Outro dia, o legislativo da cidade estabeleceu critérios para o exercício da profissão de flanelinhas. Flanelinha é aquele sujeito sem aptidão para o trabalho construtivo, munido de um trapo, chamado de flanelinha, vem para os locais de estacionamento de veículos para achacar, principalmente quando o motorista for mulher.

É aceitável que o Poder Municipal arrogue-se ao direito de estabelecer regras e controles para os estacionamentos nas ruas e avenidas das cidades, cobrar até, proibir estacionar quando necessário, mas não estabelecer mecanismos para que marginais que “vistam” de bons moços, flanelinhas, para achacar proprietários de veículos que não podem repelir as ameaças desses monstros, para não ficarem sujeitos à sua sanha. Das mãos de um marginal de tal ordem, ninguém está livre.

Essas facilidades como se permite que indivíduos de procedência duvidosa se instalem nas vias públicas, munidos de um trapo para extorqui dinheiro de motoristas incautos, e o reconhecimento de uma “profissão”, é uma vergonha.

Agora mesmo saiu notícias nos jornais que vereadores de Vitória tinham 8 médicos à sua disposição, afora outros 97 servidores e 13 professores, que deveriam estar dando aula (de que?).

Quando custa essa “máquina” de gastar dinheiro aos nossos bolsos?

Está certo, não são todos vereadores que possuem um médico ginecologista à sua disposição, mas ninguém da sociedade, dos que votaram nos vereadores, acha que, esse procedimento esteja correto. Foi para esse tipo de comportamento que os elegemos?

Ao meio dessa esculhambação toda, quem passou de carro defronte a Prefeitura de Vitória, na última sexta-feira, em torno de meio dia, encontrou a Av. Beira Mar interrompida. As interrupções ali se arrastam a muito, com uma obra que está sendo realizada pela Cesan, em vários pontos da cidade, para tormento de todos nós. Ali, bem em frente a sede da Prefeitura, para atormentar o prefeito João Coser, médicos faziam uma parede para impedir a passagem dos veículos e vociferarem contra o prefeito, pedindo aumento, aumento para quê?

Ninguém reclama que médicos, professores, servidores em geral peçam aumento de salários, mas que o faça dentro de critérios mais sérios, mormente diante de uma crise econômica que deve abalar o desenvolvimento nacional por uns cinco anos e, nos países europeus, até mesmo no Estado norte-americano, eminentemente importador de commodities agrícola, a recuperação deve demorar uns 10 anos, e olhe lá, se não acontecer o que vem ocorrendo com o João, com quase 20 anos de dificuldades no campo do desenvolvimento econômico e social.

Com a minha lengalenga, não quero reclamar dos médicos ou professores em pedir aumento salarial, ao contrário, devem proceder dentro de princípios lógicos, caso contrário o prefeito vai aumentar impostos para fazer face às reivindicações e essa atitude pode provocar conseqüências outras, diante dos impostos absurdos que já pagamos, suportando uma carga tributária nacional de 35,54% do PIB.

Quero fincar meu pé contra a impunidade, a presença absurda de camelôs, flanelinhas e outros assaltantes, criminosos os mais perversos que estão inundando nossas cidades, a começar pela Grande Vitória, devido a burrice dos nossos governantes que anunciam um crescimento econômico, uma fartura de empregos que não está acontecendo e não vai acontecer nos próximos cincos anos, a não ser no noticiário.

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